Daniel e Cerginho: uma mistura de Rockgol na época dos Sobrinhos do Ataíde com Hermes e Renato.
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segunda-feira, 14 de julho de 2014
É tetra
A Argentina perdeu, nos livramos de uma flauta eterna e nunca mais precisaremos escutar a "Brasil, decime que se siente".
"Le romperon con siete y hacen barra a Alemania", escutei um argentino gritar para um brasileiro que o provocava quando eu chegava a pé de volta em casa. Como se os argentinos não fossem fazer exatamente o mesmo nessa situação.
Como eu já disse antes, a rivalidade demanda proximidade para prosperar. Brasil e Alemanha são disparados os times com os melhores resultados e números na história da Copa do Mundo, sendo que a Itália figura em um distante terceiro lugar. Sob este ponto de vista, a Alemanha é o verdadeiro rival do Brasil e já merecia ter sido tetracampeã antes da Itália.
Ainda que o Brasil siga com o maior número de títulos, a Alemanha alcançou marcas notáveis nesta Copa do Mundo: chegou a 8 finais disputadas (contra 7 do Brasil e 6 da Itália), agora tem o maior artilheiro na história das Copas (16 gols do Klose contra 15 do Ronaldo) e foi a primeira seleção europeia a levantar a taça na América (uma resposta ao Brasil, o primeiro e único sul-americano a ganhar na Europa, em 1958).
Eu diria que uma nova vitória alemã na Rússia, em 2018, consumará a virada histórica e resultará na coroação de um novo rei das Copas.
Terei duas seleções para secar na próxima Copa.
Mas a grande alegria mesmo para os brasileiros seria a nossa Seleção e a CBF saírem das mãos dos Havelanges, Teixeiras, Marins, Del Neros e Marinhos.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Go, Deutschland!
Futebol é simbolismo puro. Afinal, por que os torcedores de esportes coletivos aplicam tanto do seu capital emocional em uma instituição privada com evidentes fins lucrativos? Porque - além disso - um clube de futebol é um símbolo, uma herança cultural que se mistura com a história da própria cidade, da região, do país, da família e da biografia de cada torcedor. Idealmente, não se escolhe um clube: ele é imposto pelas circunstâncias. O principal determinante usualmente é a localização geográfica, pois (por exemplo) brasileiros tendem a torcer para times do Brasil, e paulistas tendem a torcer para os times de São Paulo. É verdade que há inúmeras exceções, e (por exemplo) em muitos Estados se torce para times de fora, principalmente para os times do eixo Rio-São Paulo, o que é uma tristeza do meu ponto de vista. Na realidade, eu defenderia até um âmbito mais restrito do que o país e o Estado, pois acho que se deve torcer para um time da sua cidade. (Ou como disse um amigo meu, torcedor do Zequinha, para um time do seu bairro.) Mas desconte dessa minha opinião que eu nasci e cresci em Porto Alegre, uma cidade privilegiada com relação ao futebol.
"Quem não tem rival, aproveita o futebol pela metade" é uma máxima que eu sustento, e o Gre-Nal é sem dúvida o maior clássico do Brasil. (O maior do mundo eu fico na dúvida entre Boca Juniors e River Plate ou Fenerbahçe e Galatasaray.) O Rio Grande do Sul é o Estado da Federação com a maior capacidade de se dividir ferozmente em dois, com base naquele sentimento tão típico da espécie humana de classificar o mundo em "nós versus eles" (capacidade notável também na Argentina e na Turquia, onde ocorrem os outros dois clássicos citados acima). Essa habilidade talvez seja explicada pela posição peculiar da cultura gaúcha, que desenvolveu um forte bairrismo ao se ver no meio do caminho entre a belicosa cultura do Pampa (junto com Argentina e Uruguai) e a cultura do resto do Brasil. O futebol é uma guerra ritualizada, e - em uma cultura rivalista como a gaúcha - a neutralidade é difícil de aceitar. Tanto é assim que a pergunta dicotômica e regionalista que muitas vezes se segue ao "qual teu nome?" quando um adulto é apresentado a uma criança aqui no Sul é: "e tu é gremista ou colorado(a)?". Se o adulto escuta como resposta da criança que ela torce para o time adversário, o pequeno pode esperar de volta uma cara de desgosto e palavras de desaprovação por parte do grande. Mas se descobrir que a criança é do mesmo time, o adulto se identifica e oferece calorosos incentivos. E assim vem sendo forjado ao longo de várias gerações o nosso racha futebolístico. O lado bom disso é que, por décadas, as pesquisas sobre as preferências clubísticas apontaram o Rio Grande do Sul como uma exceção no Brasil: era o único Estado que não se dobrava à influência homogeneizante do centro do país, pois nenhum time do eixo Rio-São Paulo chegava a pontuar mais do que 1% entre a torcida. O lado ruim é a nossa rivalidade futebolística ter sido frequentemente alçada a níveis muito acima do aceitável.
Eu torço para o Sport Club Internacional, e posso afirmar que não tive escolha nessa questão. (E temos alguma escolha sobre qualquer coisa em nossas vidas? OK, não vou me aprofundar no eterno debate sobre a existência ou não do livre arbítrio, mesmo tendo uma opinião.) Sou de Porto Alegre, e tanto meus avós maternos quanto meu pai são colorados (minha mãe se diz gremista, mas ela tem coisas mais importantes com o que se preocupar). Meus avós ajudaram a levantar o Gigante da Beira-Rio na década de 1960, e desde quando eu era pequeno me levavam com frequência aos jogos, nas cadeiras perpétuas que puderam ser adquiridas por quem ajudou a erguer o estádio. Lembro bem de ir em jogos de Gauchão com arquibancadas quase vazias, e em jogos dos campeonatos nacionais com mais público (com torcida, obviamente, é muito melhor).
Meu primeiro ídolo no futebol foi o goleiro Taffarel, um símbolo da época que o Inter viveu na segunda metade da década de 1980, pois era um excelente goleiro que não levantou uma taça sequer pelo Inter, mas que - depois de sair em 1990 - sagrou-se tetracampeão pela seleção brasileira em 1994. Portanto, a minha carreira de torcedor começou durante uma fase tenebrosa do Inter. Talvez até seja melhor que eu não tenha lembranças das derrotas para o Flamengo e para o Bahia nas finais dos Campeonatos Brasileiros de 1987 e 1988, e nem da eliminação para o Olímpia do Paraguai nas semifinais da Libertadores de 1989. Mas lembro bem da década de 1990, na qual o Grêmio - apesar do início ruim com o primeiro rebaixamento em 1991 e o retorno vergonhoso à primeira divisão em 1992 - conseguiu depois disso empilhar títulos entre 1994 e 1999. Os únicos oásis de alegria num deserto de tristezas coloradas foram a Copa do Brasil de 1992, o Gauchão de 1997, o futebol do zagueiro paraguaio Gamarra (entre 1995 e 1997) e o 5 a 2 (o "cinco muito") em cima do Grêmio em pleno Olímpico no ano de 1997, liderado pelo atacante (Uh!) Fabiano. Ou seja: um título nacional, um título estadual, um jogador e um jogo. Não deveria surpreender que nessa época o Inter era um time que vivia de passado, principalmente das glórias da década de 1970, quando Figueroa e Falcão vestiam vermelho, e quando se conquistou o octacampeonato gaúcho e três campeonatos brasileiros (fomos o primeiro tricampeão do país).
Por sorte, eu resisti a tentação tricolor (azar dos que não o fizeram) e tive o prazer de testemunhar entre 2005 e 2011 uma espetacular virada de gangorra por parte do Inter. Depois de duas Libertadores, um Mundial, duas Recopas, uma Sul-Americana e, de bônus, um segundo rebaixamento do Grêmio, não tenho mais tanto do que reclamar. Vi o eterno Fernandão jogar. Mesmo que o Gauchão seja um prêmio de consolação em tempos de vacas magras, a verdade é que os Estaduais são relativamente desprezados pelos clubes grandes, que não deveriam participar dos Estaduais há pelo menos uma década. Portanto, o Grêmio vive - na prática - uma seca de títulos de 13 anos, desde a conquista da Copa do Brasil em 2001, e a tentação colorada deve ter espreitado várias crianças gremistas neste princípio de milênio.
De qualquer modo, a dupla Gre-Nal já trouxe para Porto Alegre - na somatória - cinco Copas do Brasil, cinco Brasileiros, uma Sul-Americana, três Recopas, quatro Libertadores, uma Copa Intercontinental e um Mundial (ou dois Mundiais, se quem estiver fazendo a contabilidade for gremista). Uma rivalidade de respeito em níveis nacional e internacional. Simpatizo amplamente com os gremistas, até porque é o segundo time com maior probabilidade de eu ter virado torcedor. O paradoxo do "nós versus eles" é que "eles" precisam estar próximos o suficiente de "nós" para que a rivalidade prospere. Esse é um fato que os mais fanáticos teimam em negar: não há nada mais perto de ser gremista do que ser colorado, e vice-versa. Percebi isso com grande clareza quando me mudei para o Rio de Janeiro, pois o background cultural compartilhado faz com que a flauta em cima dos torcedores de times cariocas empalideça perante a flauta entre os torcedores da dupla Gre-Nal. Discutir com os gremistas da linhagem racional (aqueles com os quais é possível provocar e ser provocado de modo civilizado) é muito melhor que discutir com os torcedores dos times do Rio.
Lembrei de tudo isso vendo a Copa do Mundo no Brasil, a primeira que vejo desde que me mudei para o Rio de Janeiro. Por mais que aqui a mobilização em torno da Seleção Brasileira seja maior (na comparação com o Rio Grande do Sul), o baixo nível de ligação emocional da torcida brasileira como um todo para com a sua Seleção (em comparação com seus clubes) ficou evidente nos primeiros jogos do Brasil em casa. A campanha de última hora para emplacar algum cântico de torcida novo foi uma medida desesperada para que não jogássemos mais como "visitantes em casa", na definição precisa dos mexicanos sobre o jogo contra o Brasil na primeira fase. A minha hipótese é que falta rivalidade para a Seleção brasileira. A imprensa esportiva e as campanhas publicitárias exploram seguidamente a rivalidade entre Brasil e Argentina. De fato, é o rival mais apropriado para nossa Seleção, considerando-se tanto o nível do futebol, quanto a proximidade cultural e geográfica dos dois países. Contudo, eu percebo que a torcida brasileira não abraça com a mesma convicção essa causa como abraça a rivalidade entre os clubes, e a pobreza do "Olê, olê, olê, olê, Brasil, Brasil" e do "Sou brasileiro com muito orgulho" é um sinal claro desse fenômeno.
Desde antes de a Argentina ter se classificado para a final da Copa, eu já julgava impossível não me admirar com a torcida argentina que invadiu o Brasil. Quem acompanha o futebol de lá, já conhece bem o fervor do "aliento" dos "hinchas" para os seus clubes. O Rio Grande do Sul (mais especificamente a torcida Geral do Grêmio) foi a porta de entrada para (re)importarmos esse estilo de torcer que já alcançou até clubes do Nordeste, um estilo baseado na cantoria ininterrupta, em letras mais elaboradas, nas bandeiras sempre tremulando, e nas fitas e papéis picados jogados ao campo. Uruguai, Chile, Paraguai e outros países sul-americanos também adotam esse estilo de torcer, e o interessante é que - ao contrário do Brasil - todos esses países conseguem transpor facilmente o engajamento com os clubes para as suas respectivas seleções.
A minha hipótese é que um dos fatores que mais contribuem para esse fanatismo dos argentinos pela Albiceleste é que eles levam muito mais a sério a rivalidade com o Brasil. É o "eles" que fortalece o "nós", e - na mesma linha do "Brasileiro que amargado se te ve" - o cântico "Brasil, decime que se siente" já é o grande hit desta Copa, criado especialmente para tirar onda com a cara dos brasileiros durante o mundial. Digo, por experiência própria, que ao conviver algum tempo (em 2005 e 2006) com brasileiros e argentinos nos Estados Unidos nunca me senti tão ligado ao Brasil, à Seleção e, sim, à Argentina. Fiquei muito amigo dos argentinos através do "mate" (chimarrão), do "asado" (churrasco), do "che" (tchê), do bairrismo e do futebol. Eles puxavam a conversa sobre o futebol, o que era muito divertido da minha perspectiva brasileira, pois a Seleção ostentava a "tríplice coroa": era a atual campeã da Copa do Mundo (sendo que a Argentina havia sido eliminada na primeira fase), da Copa das Confederações (4 a 1 em cima da Argentina na final) e da Copa América (final também sobre a Argentina, vencida nos pênaltis). Relembre que o Inter vivia os últimos meses da má fase que já durava duas décadas, mesmo esboçando seus primeiros voos internacionais ao ser eliminado duas vezes pelo Boca Juniors nas Copas Sul-Americana de 2004 e 2005 (ambas vencidas pelo Boca, sendo que na segunda eu fui o único brasileiro a assistir a final junto com os amigos xeneizes em um bar de mexicanos). Portanto, imaginem o meu contentamento em ter as vitórias da Seleção para importunar os argentinos quando o assunto era futebol.
"Quem não tem rival, aproveita o futebol pela metade", e o Brasil vem aproveitando a sua Seleção pela metade. Por isso, sou a favor de fomentar a nossa rivalidade com os argentinos. Quem torcer para a Argentina no próximo domingo está, na minha opinião, minando a precária relação entre os torcedores brasileiros mais fiéis (aqueles que acompanham seus clubes) e a Seleção. Os argentinos estão loucos de faceiros com o 7 a 1 que levamos da Alemanha na semifinal, e o meu resultado ideal para a final é uma goleada ainda maior da mesma Alemanha em cima da Argentina. Assim como o vexame brasileiro de 2014 reposicionou a tragédia (agora honrosa) do Maracanazo de 1950, só um Maracanazo deles nos aliviará da dor do Mineiratzen. (E desse fenômeno os colorados entendem bem, pois a derrota pro Mazembe em 2010 manchou não apenas a vitória na Libertadores de 2010, como também eclipsou a flauta sobre a vitória do Ajax em cima do Grêmio em 1995.)
Contudo, jamais confunda rivalidade com ódio e violência: admiro a seleção argentina assim como admiro o Grêmio, e quero distância dos fanáticos idiotas de todos os lados, inclusive do Inter. (Ainda não encontrei fanáticos pelo Brasil desse tipo, em conformidade com o que foi discutido acima.) Por mais esquizofrênico que possa soar, torço contra Argentina e contra o Grêmio, mesmo que as conquistas de ambos engrandeçam, respectivamente, o Brasil e o Inter. O futebol certamente não obedece os ditames da razão (nem os seres humanos, completaria o filósofo David Hume), e é por isso que domingo vou torcer pra Alemanha 8 x Argentina 0.
Porto Alegre, sede da maior rivalidade futebolística do Brasil.
"Quem não tem rival, aproveita o futebol pela metade" é uma máxima que eu sustento, e o Gre-Nal é sem dúvida o maior clássico do Brasil. (O maior do mundo eu fico na dúvida entre Boca Juniors e River Plate ou Fenerbahçe e Galatasaray.) O Rio Grande do Sul é o Estado da Federação com a maior capacidade de se dividir ferozmente em dois, com base naquele sentimento tão típico da espécie humana de classificar o mundo em "nós versus eles" (capacidade notável também na Argentina e na Turquia, onde ocorrem os outros dois clássicos citados acima). Essa habilidade talvez seja explicada pela posição peculiar da cultura gaúcha, que desenvolveu um forte bairrismo ao se ver no meio do caminho entre a belicosa cultura do Pampa (junto com Argentina e Uruguai) e a cultura do resto do Brasil. O futebol é uma guerra ritualizada, e - em uma cultura rivalista como a gaúcha - a neutralidade é difícil de aceitar. Tanto é assim que a pergunta dicotômica e regionalista que muitas vezes se segue ao "qual teu nome?" quando um adulto é apresentado a uma criança aqui no Sul é: "e tu é gremista ou colorado(a)?". Se o adulto escuta como resposta da criança que ela torce para o time adversário, o pequeno pode esperar de volta uma cara de desgosto e palavras de desaprovação por parte do grande. Mas se descobrir que a criança é do mesmo time, o adulto se identifica e oferece calorosos incentivos. E assim vem sendo forjado ao longo de várias gerações o nosso racha futebolístico. O lado bom disso é que, por décadas, as pesquisas sobre as preferências clubísticas apontaram o Rio Grande do Sul como uma exceção no Brasil: era o único Estado que não se dobrava à influência homogeneizante do centro do país, pois nenhum time do eixo Rio-São Paulo chegava a pontuar mais do que 1% entre a torcida. O lado ruim é a nossa rivalidade futebolística ter sido frequentemente alçada a níveis muito acima do aceitável.
Gre-Nal: escolha seu lado.
Eu torço para o Sport Club Internacional, e posso afirmar que não tive escolha nessa questão. (E temos alguma escolha sobre qualquer coisa em nossas vidas? OK, não vou me aprofundar no eterno debate sobre a existência ou não do livre arbítrio, mesmo tendo uma opinião.) Sou de Porto Alegre, e tanto meus avós maternos quanto meu pai são colorados (minha mãe se diz gremista, mas ela tem coisas mais importantes com o que se preocupar). Meus avós ajudaram a levantar o Gigante da Beira-Rio na década de 1960, e desde quando eu era pequeno me levavam com frequência aos jogos, nas cadeiras perpétuas que puderam ser adquiridas por quem ajudou a erguer o estádio. Lembro bem de ir em jogos de Gauchão com arquibancadas quase vazias, e em jogos dos campeonatos nacionais com mais público (com torcida, obviamente, é muito melhor).
Beira-Rio como eu conheci: cobertura parcial, cor de concreto e pista atlética.
Meu primeiro ídolo no futebol foi o goleiro Taffarel, um símbolo da época que o Inter viveu na segunda metade da década de 1980, pois era um excelente goleiro que não levantou uma taça sequer pelo Inter, mas que - depois de sair em 1990 - sagrou-se tetracampeão pela seleção brasileira em 1994. Portanto, a minha carreira de torcedor começou durante uma fase tenebrosa do Inter. Talvez até seja melhor que eu não tenha lembranças das derrotas para o Flamengo e para o Bahia nas finais dos Campeonatos Brasileiros de 1987 e 1988, e nem da eliminação para o Olímpia do Paraguai nas semifinais da Libertadores de 1989. Mas lembro bem da década de 1990, na qual o Grêmio - apesar do início ruim com o primeiro rebaixamento em 1991 e o retorno vergonhoso à primeira divisão em 1992 - conseguiu depois disso empilhar títulos entre 1994 e 1999. Os únicos oásis de alegria num deserto de tristezas coloradas foram a Copa do Brasil de 1992, o Gauchão de 1997, o futebol do zagueiro paraguaio Gamarra (entre 1995 e 1997) e o 5 a 2 (o "cinco muito") em cima do Grêmio em pleno Olímpico no ano de 1997, liderado pelo atacante (Uh!) Fabiano. Ou seja: um título nacional, um título estadual, um jogador e um jogo. Não deveria surpreender que nessa época o Inter era um time que vivia de passado, principalmente das glórias da década de 1970, quando Figueroa e Falcão vestiam vermelho, e quando se conquistou o octacampeonato gaúcho e três campeonatos brasileiros (fomos o primeiro tricampeão do país).
"Cinco muito": uma das poucas alegrias coloradas na década de 1990.
Por sorte, eu resisti a tentação tricolor (azar dos que não o fizeram) e tive o prazer de testemunhar entre 2005 e 2011 uma espetacular virada de gangorra por parte do Inter. Depois de duas Libertadores, um Mundial, duas Recopas, uma Sul-Americana e, de bônus, um segundo rebaixamento do Grêmio, não tenho mais tanto do que reclamar. Vi o eterno Fernandão jogar. Mesmo que o Gauchão seja um prêmio de consolação em tempos de vacas magras, a verdade é que os Estaduais são relativamente desprezados pelos clubes grandes, que não deveriam participar dos Estaduais há pelo menos uma década. Portanto, o Grêmio vive - na prática - uma seca de títulos de 13 anos, desde a conquista da Copa do Brasil em 2001, e a tentação colorada deve ter espreitado várias crianças gremistas neste princípio de milênio.
Mundial de 2006: maior marco da virada histórica.
De qualquer modo, a dupla Gre-Nal já trouxe para Porto Alegre - na somatória - cinco Copas do Brasil, cinco Brasileiros, uma Sul-Americana, três Recopas, quatro Libertadores, uma Copa Intercontinental e um Mundial (ou dois Mundiais, se quem estiver fazendo a contabilidade for gremista). Uma rivalidade de respeito em níveis nacional e internacional. Simpatizo amplamente com os gremistas, até porque é o segundo time com maior probabilidade de eu ter virado torcedor. O paradoxo do "nós versus eles" é que "eles" precisam estar próximos o suficiente de "nós" para que a rivalidade prospere. Esse é um fato que os mais fanáticos teimam em negar: não há nada mais perto de ser gremista do que ser colorado, e vice-versa. Percebi isso com grande clareza quando me mudei para o Rio de Janeiro, pois o background cultural compartilhado faz com que a flauta em cima dos torcedores de times cariocas empalideça perante a flauta entre os torcedores da dupla Gre-Nal. Discutir com os gremistas da linhagem racional (aqueles com os quais é possível provocar e ser provocado de modo civilizado) é muito melhor que discutir com os torcedores dos times do Rio.
Gremistas e colorados: os próximos que são distantes.
Lembrei de tudo isso vendo a Copa do Mundo no Brasil, a primeira que vejo desde que me mudei para o Rio de Janeiro. Por mais que aqui a mobilização em torno da Seleção Brasileira seja maior (na comparação com o Rio Grande do Sul), o baixo nível de ligação emocional da torcida brasileira como um todo para com a sua Seleção (em comparação com seus clubes) ficou evidente nos primeiros jogos do Brasil em casa. A campanha de última hora para emplacar algum cântico de torcida novo foi uma medida desesperada para que não jogássemos mais como "visitantes em casa", na definição precisa dos mexicanos sobre o jogo contra o Brasil na primeira fase. A minha hipótese é que falta rivalidade para a Seleção brasileira. A imprensa esportiva e as campanhas publicitárias exploram seguidamente a rivalidade entre Brasil e Argentina. De fato, é o rival mais apropriado para nossa Seleção, considerando-se tanto o nível do futebol, quanto a proximidade cultural e geográfica dos dois países. Contudo, eu percebo que a torcida brasileira não abraça com a mesma convicção essa causa como abraça a rivalidade entre os clubes, e a pobreza do "Olê, olê, olê, olê, Brasil, Brasil" e do "Sou brasileiro com muito orgulho" é um sinal claro desse fenômeno.
Copa de 1990: Maradona contra seu rival favorito.
Desde antes de a Argentina ter se classificado para a final da Copa, eu já julgava impossível não me admirar com a torcida argentina que invadiu o Brasil. Quem acompanha o futebol de lá, já conhece bem o fervor do "aliento" dos "hinchas" para os seus clubes. O Rio Grande do Sul (mais especificamente a torcida Geral do Grêmio) foi a porta de entrada para (re)importarmos esse estilo de torcer que já alcançou até clubes do Nordeste, um estilo baseado na cantoria ininterrupta, em letras mais elaboradas, nas bandeiras sempre tremulando, e nas fitas e papéis picados jogados ao campo. Uruguai, Chile, Paraguai e outros países sul-americanos também adotam esse estilo de torcer, e o interessante é que - ao contrário do Brasil - todos esses países conseguem transpor facilmente o engajamento com os clubes para as suas respectivas seleções.
La hinchada argentina: mostrando como se torce numa Copa em casa.
A minha hipótese é que um dos fatores que mais contribuem para esse fanatismo dos argentinos pela Albiceleste é que eles levam muito mais a sério a rivalidade com o Brasil. É o "eles" que fortalece o "nós", e - na mesma linha do "Brasileiro que amargado se te ve" - o cântico "Brasil, decime que se siente" já é o grande hit desta Copa, criado especialmente para tirar onda com a cara dos brasileiros durante o mundial. Digo, por experiência própria, que ao conviver algum tempo (em 2005 e 2006) com brasileiros e argentinos nos Estados Unidos nunca me senti tão ligado ao Brasil, à Seleção e, sim, à Argentina. Fiquei muito amigo dos argentinos através do "mate" (chimarrão), do "asado" (churrasco), do "che" (tchê), do bairrismo e do futebol. Eles puxavam a conversa sobre o futebol, o que era muito divertido da minha perspectiva brasileira, pois a Seleção ostentava a "tríplice coroa": era a atual campeã da Copa do Mundo (sendo que a Argentina havia sido eliminada na primeira fase), da Copa das Confederações (4 a 1 em cima da Argentina na final) e da Copa América (final também sobre a Argentina, vencida nos pênaltis). Relembre que o Inter vivia os últimos meses da má fase que já durava duas décadas, mesmo esboçando seus primeiros voos internacionais ao ser eliminado duas vezes pelo Boca Juniors nas Copas Sul-Americana de 2004 e 2005 (ambas vencidas pelo Boca, sendo que na segunda eu fui o único brasileiro a assistir a final junto com os amigos xeneizes em um bar de mexicanos). Portanto, imaginem o meu contentamento em ter as vitórias da Seleção para importunar os argentinos quando o assunto era futebol.
Tal qual o Gauchão, a Copa das Confederações só tem graça se tiver clássico na final.
"Quem não tem rival, aproveita o futebol pela metade", e o Brasil vem aproveitando a sua Seleção pela metade. Por isso, sou a favor de fomentar a nossa rivalidade com os argentinos. Quem torcer para a Argentina no próximo domingo está, na minha opinião, minando a precária relação entre os torcedores brasileiros mais fiéis (aqueles que acompanham seus clubes) e a Seleção. Os argentinos estão loucos de faceiros com o 7 a 1 que levamos da Alemanha na semifinal, e o meu resultado ideal para a final é uma goleada ainda maior da mesma Alemanha em cima da Argentina. Assim como o vexame brasileiro de 2014 reposicionou a tragédia (agora honrosa) do Maracanazo de 1950, só um Maracanazo deles nos aliviará da dor do Mineiratzen. (E desse fenômeno os colorados entendem bem, pois a derrota pro Mazembe em 2010 manchou não apenas a vitória na Libertadores de 2010, como também eclipsou a flauta sobre a vitória do Ajax em cima do Grêmio em 1995.)
Mineiratzen: o Maracanazo não parece tão ruim agora.
Contudo, jamais confunda rivalidade com ódio e violência: admiro a seleção argentina assim como admiro o Grêmio, e quero distância dos fanáticos idiotas de todos os lados, inclusive do Inter. (Ainda não encontrei fanáticos pelo Brasil desse tipo, em conformidade com o que foi discutido acima.) Por mais esquizofrênico que possa soar, torço contra Argentina e contra o Grêmio, mesmo que as conquistas de ambos engrandeçam, respectivamente, o Brasil e o Inter. O futebol certamente não obedece os ditames da razão (nem os seres humanos, completaria o filósofo David Hume), e é por isso que domingo vou torcer pra Alemanha 8 x Argentina 0.
Exato. O mesmo vale para Brasil e Argentina, e, ilogicamente, torcerei pela Alemanha no domingo.
Go, Deutschland!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Coreias
No coreano (한글), cada "letra" na verdade é uma sílaba... Enquanto que na Coreia, cada país deveria ser um só. E deveria ser tudo Coreia do Sul.
P.S. Ah, e tinha a grande coreia do Beira-Rio também!
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
A Morena e eu, tão próximos mas tão longe nesse Cosmos
Eu estava vendo o único verbete sobre o tudo da maior enciclopédia conhecida nesse tudo: o Universo. Não é o Guia do Mochileiro das Galáxias, algo próximo mas não tão engraçado, a Wikipedia.
Lendo em inglês, que é a lingua franca atual.
Diz o verbete:
The universe is commonly defined as the totality of existence,[1][2][3][4] including planets, stars, galaxies, the contents of intergalactic space, and all matter and energy.[5][6]
Fui ver as referências e gostei dessa:
2. ^ "Universe", Encyclopedia Britannica, "the whole cosmic system of matter and energy of which Earth, and therefore the human race, is a part"
Carl Sagan usou um sinônimo: "O Cosmos é tudo o que existe, existiu ou existirá. A mais insignificante contenmplação do cosmos emociona-nos – provoca-nos um arrepio, embarga-nos a voz, causa-nos a sensação suave de uma recordação distante."
Mas tudo isso fica gravemente desfalcado de sentido se meu amor pela Priscilla Casagrande não for correspondido. Até o ateu mais materialista irá concordar que não haveria pecado maior caso isso ocorresse.
P.S. Parabéns pela condecoração, Morena!
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Futebolisticamente falando
Meu primeiro ídolo no futebol.
Meu primeiro vilão no futebol.
Minha primeira alegria no futebol.
Minha segunda alegria no futebol.
O primeiro e único jogo de futebol que me deixou nervoso no dia anterior.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Clipe do Dia nº 303
No dia 04 de abril de 2012, muito pouco provavelmente em homenagem ao 103º aniversário do Sport Club Internacional, tocarão na Argentina Arctic Monkeys e Foo Fighters.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Eliminatórias da Copa do Mundo
E foi dada a largada para a Copa do Mundo no Brasil em 2014! Haja coração!
Israel versus Palestina.
Sérvia versus Montenegro.
Israel versus Palestina.
Sérvia versus Montenegro.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Morre, diabo!
Seria uma excelente notícia se esse câncer aí fosse extirpado do futebol. E já podia levar junto com ele o Ricardo Teixeira.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Seongnam Ilhwa versus Internazionale
Encerrada porra nenhuma! A vida também é feita de derrotas... É bola pra frente, mermão. E a Internazionale, com a lição da outra semi-final em mente e muita habilidade no pé, não deu chance pro azar e fez um jogo sereno contra os sul-coreanos. O golzinho no início garantiu a tranquilidade, e os dois gols seguintes vieram ao natural. Inter 3 a 0. Agora é ver se o Mazembe ainda tem bala na agulha para outra façanha na final. Eu gostaria que sim, mas acho que não...
Mazembe versus Inter
Por motivos de força maior, declara-se encerrada a cobertura da Copa do Mundo de Clubes FIFA. A derrota na final da Libertadores em 1980 para o Nacional do Uruguai, perder a final do Brasileiro de 1988 para o Bahia em casa, apanhar da LDU nos dois jogos da Recopa de 2009, ver o Ronaldo faturar a Copa do Brasil também em 2009, ser eliminado na primeira fase da Libertadores de 2007, levar 4 a 0 do Juventude na semi-final da Copa do Brasil em 1999, as duas goleadas na Bombonera para o Boca Juniors pelas Sul-Americanas de 2004 e 2005, a eliminação em casa para o Olimpia na semi-final da Libertadores de 1989... Todo time tem sua coleção de vexames e derrotas doloridas.
Ontem, o Inter conseguiu o maior de todos. É o nosso análogo do bi-rebaixamento.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Al Wahda versus Seongnam Ilhwa
Quartas-de-final na chave pelo lado da Internazionale de Milão: o time-da-casa Al Wahda contra o campeão asiático Seongnam Ilhwa da Coreia do Sul. O clube coreano foi fundado em 1989 e já o mais bem-sucedido time do país em nível doméstico, com sete campeonatos nacionais no currículo. O Andrézinho deve conhecer bem o time, pois jogou no também sul-coreano Pohang Steelers até 2007. Só pra variar, os destaques do time são os estrangeiros: o argentino Molina e o montenegrino Radončić (um time que tem um montenegrino como destaque já diz muita coisa sobre a sua qualidade técnica).
E o pior de tudo é que o time sul-coreano é o melhor dos coadjuvantes do Mundial: bem organizado, toca relativamente bem a bola e corre muito. Golearam os árabes por 4 a 1, e agora vão perder para a Inter da Milão na semi-final. Só uma zebra de proporções continentais para a final Inter x Inter não ocorrer.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Mazembe versus Pachuca
Quartas-de-final na chave pelo lado do Colorado: o Mazembe, campeão africano, contra o Pachuca, campeão da CONCACAF (Américas do Norte e Central).
O Mazembe vem do Congo, um daqueles países subsaarianos em que os caras brincam de ter melanina. Mesmo que queiramos desacreditar os estereótipos, não adianta: todos times africanos sempre parecem o mesmo... Uns caras parrudos com muita força física e muito fôlego, mas uma mediana habilidade com a pelota. Agora o mais típico dos africanos é aquela atitude despretensiosa e fanfarrona, que invariavelmente acaba custando a vitória ao time. Talvez se eles fossem um pouco mais aplicados, poderiam até fazer alguma frente aos times bons (leia-se europeus e sul-americanos). O festival de penteados bizarros e a torcida incomodando foi uma reprise inevitável da Copa da África do Sul que ocorreu no meio do ano (por sorte, não tinham vuvuzelas, mas a fanfarra com músicas repetitivas durante o jogo inteiro quase foram um substituto à altura).
Já o Pachuca vem do México, um país muito simpático, principal fornecedor de mão-de-obra ilegal para o Império Ianque e com um povo fanático por futebol. O que é um fato muito curioso, considerando que os times mexicanos (a seleção nacional inclusive) teimam em serem ruins. Às vezes, dão um pequeno susto (lembro da linda eliminação do Flamengo pelo América do México em pleno Maracanã pela Libertadores em 2008), mas não passa muito disso. Taça que é bom, eles só ganham lá na CONCACAF. E o Pachuca foi aquele time que levou um sacode do Inter na Recopa em 2007 (sim, contradizendo minha frase anterior, o Pachuca foi campeão da Sul-Americana em 2006).
Logo, essa partida era similar à final da Copa do Mundo desse ano entre Espanha e Holanda: dois times com fama, histórico e alma de perdedor. Se fosse possível, teríamos que declarar dois derrotados ao final do jogo. Como o futebol não permite isso, o Mazembe conseguiu um gol no primeiro tempo (boa jogada, por sinal) e de resto correu muito, trombou bastante e baixou o sarrafo nos chicanos. O Pachuca seguiu à risca a mística mexicana e não conseguiu fazer nada para reagir (ok, eles até conseguiram duas bolas na trave). A figura do jogo certamente foi o goleiro Kidiaba, com seu tique de piscar os olhos, sua defesa destemida e a comemoração caótica. Mazembe 1 a 0: Colorado pega mais uma vez um time africano na semi-final.
Al Wahda versus Hekari United
É, meu amigo, ver os jogos relevantes do Mundial inclui ver uma bucha dessas... O campeão dos Emirados Árabes Unidos, o Al Wahda, contra o campeão da Oceania, o Hekari United da Papua Nova Guiné. Com a saída da Austrália da OFC, o nível do time-representante da Oceania vai ser sempre esse aí: times semi-profissionais que recém descobriram que a bola é redonda. Por outro lado, os árabes conseguem trazer alguns estrangeiros com os seus petrodólares, de modo a conferir um nível mais aceitável aos seus times. No caso do Al Wahda, temos os brasileiros Hugo (já jogou no São Paulo e no Grêmio), Fernando Baiano (jogou no Corinthians, Inter e Flamengo) e Magrão (ex-Palmeiras, Corinthians e Inter).
Um resultado muito mais do que esperado: goleada de 3 a 0 do Al Wahda, com dois gols de brasileiros (Hugo e Fernando Baiano). O Fernando Baiano foi o melhor do time, sem dúvida. O Al Wahda pega o sul-coreano Seongnam Ilhwa nas quartas-de-final, pelo lado da Internazionale de Milão.
FIFA Club World Cup 2010
E considera-se iniciada a cobertura oficial da Copa do Mundo de Clubes FIFA 2010 neste blog. A partir da minha sala, via Sportv com qualidade HD e tela Sony 46 polegadas, verei todos os jogos relevantes desse campeonato que reúne os seis campeões das confederações continentais e também o campeão nacional do país-sede, o Emirados Árabes Unidos. Dale Inter (o de Porto Alegre, óbvio)!
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
1ª Divisão
Faz 11 anos da única vez que chegamos perto daquela vergonha chamada 2ª Divisão. Ao contrário do nosso co-irmão, que gosta tanto de lá que já foi duas vezes:
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Jogaço
Que jogo foi esse Inter e Corinthians? O primeiro gol do Tinga foi um adendo à sua vingança contra o Corinthinas por aquele lance em 2005, porque a vingança principal foi ganhar a Libertadores no ano do centenário deles. Já no segundo tempo, um golaço do Jorge Henrique pra empatar a partida. Um pouco depois, cruzamento do D'Alessandro pra cabeçada quase no chão do Alecsandro. Aí, aos 45 do segundo tempo, o Renan me faz uma saída patética numa bola chutada pra cima dentro área, permitindo que um corintiano o encobrisse com uma cabeçada. O Nei até fez uma defesa a la Suarez que lhe rendeu um cartão vermelho, mas o Renan não conseguiu pegar o pênalti. Quando tudo parecia perdido, o Alecsandro me encaixa dois balãozinhos na entrada da área adversária e sofre uma falta aos 48 do segundo tempo. Olhem a foto acima e visualizem o que aconteceu em seguida. E entre tudo isso, ainda tiveram duas bolas do Corinthians na trave, uma bicicleta do Edu, uma chaleira do Leandro Damião e um ótimo chute a gol do Guiñazu.
Pegar a Folha de São Paulo de segunda-feira e ver uma foto do Inter na capa por ter tirado a liderança do asqueroso time do Corinthians já seria alegria futebolística suficiente para a semana, mas além disso o Flamengo se aproxima da zona de rebaixamento e a mula do Everton foi vendida pro Bahia. E o Galo parece que vai seguir os passos do Grêmio e conseguir a façanha do bi-rebaixamento.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Buffalo Bills
Eu lembro que na primeira metade da década de 1990, a Rede Bandeirantes era "o" canal de esportes. E além de passar jogos do futebol brasileiro (saudoso Sílvio Luiz, o melhor narrador de todos os tempos), eles também transmitiam jogos do campeonato italiano. Acredito que foi por causa disso que os cards do Calcio viraram febre nos colégios do Brasil nessa época. Lembro até hoje do card com a caricatura do Lothar Matthäus vestindo o uniforme da Internazionale. E além disso, eles também transmitiam as finais da NBA e da NFL, nos dando o grande prazer de ver o monstro do Michael Jordan jogar. Claro que eu torcia pro Chicago Bulls, que vestia um uniforme colorado e ganhava sempre.
Não tive tanta sorte no futebol americano... Eu vi alguns Super Bowls e sempre estava lá o Buffalo Bills disputando. No primeiro Super Bowl que eu vi, comecei a torcer pra eles. E não é que os desgraçados perdiam todos? Conseguiram a façanha de perder quatro finais seguidas. Malditos Dallas Cowboys. Os coitados nunca ganharam o Super Bowl, nem antes e nem depois disso. Parece o América de Cali: chegou a quatro finais da Libertadores e perdeu todas.
Graças a 'Bãããn-deirantes, o canal do esporte', até hoje eu sei as regras do futebol americano. Diz o Alemão que rugby é muito melhor que futebol americano, mas desse eu não aprendi as regras ainda...
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